"- Realmente eu espero que ele não tenha me esquecido.
- Ué, mas eu lembro-me que, você mesmo pediu que ele a esquecesse, na verdade, parecia mais uma ordem, como se fosse obrigação. E agora, me diz isso?
- Não, não era isso que eu queria...
- Como não? E porque disse?
- Eu só queria sair daquela coisa corriqueira, mudar o hábito, tentar outras formas, visualizar novas oportunidades, queria ver o que eu sentia, conversar comigo mesmo, tentar me entender mais por dentro do que por fora, queria sentir saudades e ...
- E você está sentindo agora, não é?
- Estou, estou sentindo uma falta que me invade e aperta o peito e, meia volta, dá um nó na garganta.
- E você ainda insistiria em duvidar que isso é amor?
- Nunca duvidei. Sempre ouvi eu te amo e senti ser sincero, quando disse, as várias vezes que disse, eram verdadeiras, e ainda continuam sendo.
- Amor de verdade é pra sempre. Pode diminuir mas não deixa de existir ...
- E eu sei tão bem disso. E meu amor só cresce, só aumenta, cada vez mais toma conta de mim, e sinto que um dia não vou controlá-lo.
- Mas então, porque não toma uma atitude? Corre atrás dele, sua felicidade tá escapando e você vai ficar parada, olhando?
- É que, depois do que eu disse, sei que não tenho direito algum de querer que ele me aceite, e sei também que, por mim ele nada mais sente. E se sente, esconde, guardou numa caixa, trancafiou e escondeu, num porão escuro, sujo, solitário, onde nem ele nem ninguém procuraria, e sabe porque? Porque não faz falta.
- E quem te garante isso?
- As atitudes. Ele mudou, ele me deixou de lado, me trocou por outras, e, enfim, tá curtindo a vida, sendo feliz.
- E você pelos cantos forçando um sorriso que não existe?
- O que mais me dói é que, ele dizia me amar, e me amava mesmo. Só que, eu acho absurdo um amor tão grande terminar assim, sei que dei n motivos para ele mas, sei lá, eu esperava um mínimo afeto.
- E não houve nenhum do tipo, não é?
- Houve indiferença, talvez rancor, não sei. Não estou aqui pra decifrar sentimentos de ninguém, até porque, mal-mente entendo os meus.
- Eu ainda acho que ele te ama, só prefere esconder.
- Esconder um sentimento? Uma coisa bonita?
- Sim, foi essa coisa bonita que você desprezou e, você tem noção do quanto ele te amava, e mesmo assim usou de palavras duras, artifícios cruéis, o deixou triste, pra baixo, sem escolha,
o ignorou, teve indiferença, receio, quem sabe até raiva.
- Assumo, senti ódio dele. Mas eu acho que era amor disfarçado. Eu não mais sentia nada, e agora esse sentimento volta, e toma conta de mim.
- É porque é amor verdadeiro, e ele predomina em você.
- Ele fez de mim morada, e agora não consigo tirá-lo.
- E você quer tirá-lo de ti?
- Eu quero ele pra mim, cada vez mais. Mas não só o sentimento, eu quero ele pra mim, eu quero ele de volta. Eu quero o amor que era meu, só meu, e eu por sei lá o quê o desprezei.
- E você não sabe o porque disso, não é? É como diz a música: e quem irá dizer ...
- Que existe razão nas coisas feitas pelo coração, é, exatamente.
- Agora é esperar, minha amiga, eu acho que, tudo se resolve. E eu tenho pra mim que o amor de vocês não acabou.
- Realmente, da minha parte não, já dele, não posso dizer. Mas é que eu sinto tanta falta.
- Eu te entendo. Mas tenta focar em outra coisa, longe dos olhos, longe do coração.
- Ah, longe é saudade, perto é receio. Vais me dizer que isso tem uma resposta? (...)"
Por: Steffany A.
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